Procurada, a rede Prevent Senior reafirmou ao Jornal Nacional, da TV Globo, que repassa informações diariamente às autoridades paulistas.
O Sancta Maggiore passa por inspeções das vigilâncias sanitárias do município e do estado de São Paulo desde quarta-feira (18). O objetivo era checar as condições de segurança dos empregados e as instalações físicas, estruturais e de funcionamento do hospital, já que pelo menos oito casos confirmados de coronavírus na unidade são empregados da rede.
A vigilância sanitária também quis entender como estão sendo feitas as notificações dos casos confirmados e suspeitos da doença pela unidade da rede Prevent Senior.
Familiares e parentes da primeira vítima da doença a morrer por coronavírus no Brasil, e que estava internada no Sancta Maggiore, afirmam que só souberam que o paciente tinha o Covid-19 quando receberam o corpo lacrado para realização do funeral.
“No velório falaram que deveria ser de caixão fechado, e nisso a gente teve um estalo de que tinha alguma coisa errada, que estavam omitindo alguma coisa da gente”, disse o homem, que preferiu não se identificar.
O parente da primeira vítima do coronavírus em SP confirmou que outras pessoas da família estão internadas em estado grave, e que nenhuma fez teste para o novo coronavírus.
“Cinco pessoas moravam com meu tio que faleceu e, infelizmente, até agora ninguém ninguém fez o teste. Eu tenho mais uma tia e um tio no hospital, todos na UTI. Meu avô agora teve um quadro de piora”, completou.

O Hospital Sancta Maggiore do Paraíso, Zona Sul de São Paulo, pertencente à rede Prevent Senior. — Foto: Reprodução/TV Globo
Além das cinco mortes registradas nesta quarta-feira, a Prevent Senior afirmou que tem 123 pacientes suspeitos do coronavírus na rede. Desses casos, 33 pacientes estão na UTI, sendo que 12 deles já testaram positivo para a doença.
Os outros 90 pacientes suspeitos estão em apartamentos da unidade, onde estão sendo tratados e 16 deles já tiveram os exames positivos para o covid-19.
O diretor da Prevent Senior, Pedro Batista Júnior, explicou que a rede está concentrando todos os casos da doença na unidade Sancta Maggiore do Paraíso para justamente preservar os trabalhadores.
“A questão de dedicarmos o hospital é justamente para preservar a equipe. Uma vez que eu tenho as equipes em múltiplos hospitais em contato com todos os pacientes, teoricamente, eu teria mais equipes infectadas”, declarou Batista.
Rede Prevent Senior tem até está quarta-feira (19) 123 pacientes suspeitos de coronavírus. — Foto: Reprodução/TV Globo
O coordenador do centro de contingência do coronavírus em São Paulo, David Uip, afirma que os médicos e enfermeiros que trabalham na linha de frente do atendimento aos pacientes com coronavírus estão expostos à doença, mas que que o que tem se observado é uma epidemia de vírus influenza entre eles.
“O que nós vimos no hospital Sírio Libanês é que vários profissionais apresentaram síndrome gripal. e no diagnóstico até esse momento o que prevaleceu foi o vírus influenza. O que nós temos em paralelo é uma epidemia de influenza que se antecipou aquilo que se esperava que era outono inverno”, declarou Uip.
Orientações da OMS para profissionais da saúde
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs), para todos que tenham contato com o paciente infectado por coronavírus.
Os profissionais de saúde, o pessoal da limpeza e os visitantes também devem usar máscara cirúrgica ou máscara de proteção respiratória, luvas, protetor ocular ou de face e capote ou avental.
As luvas do pessoal da limpeza têm que ser grossas e esses trabalhadores têm que usar botas ou sapatos fechados, de acordo com a OMS.
O Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo orienta os enfermeiros a denunciarem a falta dos equipamentos no site da entidade, caso os hospitais não estejam seguindo as orientações sanitárias globais para o combate à doença.

Orientações da OMS para profissionais de saúde que atendem pacientes com o coronavírus. — Foto: Reprodução/TV Globo
Já a secretária-geral do Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo (SindSaúde-SP), Célia Regina Costa, diz que os trabalhadores da saúde no estado estão com medo.
“Nós não temos um protocolo único [de atuação para o covid-19]. O que nós queremos discutir com a Secretaria Estadual de Saúde é principalmente manter um protocolo único de proteção aos trabalhadores da saúde. Porque nós somos um número muito pequeno de trabalhadores para poder atender o que virá”, diz Regina Costa.
A dirigente sindical também reforça o pedido das autoridades para que as pessoas fiquem em casa e se recolham como forma de também proteger os profissionais da saúde.
“A gente espera que não venha e a gente espera que todo esforço feito pela sociedade de se recolher e não transitar, possa ajudar a gente não ter o que está previsto. Mas o que nós já temos já nos preocupa muito”, declara.
Íntegra da nota da Secretaria Municipal de Saúde de SP:
“A Secretaria Municipal da Saúde informa que uma inspeção da Vigilância Epidemiológica no Hospital Sancta Maggiore constatou a existência de casos suspeitos de coronavirus não notificados, incluindo casos que levaram pacientes à morte por COVID -19. A Falta de notificação dos casos suspeitos impede que a vigilância tome conhecimento e consequentemente adote as medidas necessárias. A Coordenadoria de Vigilância em Saúde (COVISA) coletou informações sobre estes casos, durante a inspeção, e fará o contato para acompanhamento das pessoas que tiveram contato próximo com os casos suspeitos de coronavirus não notificados pelo hospital. Após a conclusão do relatório de inspeção, a COVISA vai instaurar um processo sanitário que resultará em sanções à empresa”.
Ciclo do coronavírus — Foto: Foto: Arte/G1
Deixe um comentário