
Atualizada às 15h40
O empresário Douglas Fonseca, proprietário da DF Trade, foi preso novamente nesta terça-feira (22) em Teresina por posse irregular de arma de fogo. Ele foi um dos alvos de mandados de buscas e apreensões no âmbito de uma operação deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) no Piauí e em outros três estados. Ele já havia sido preso em julho durante operação da Secretaria de Segurança, onde é investigado por fraude.
Além da prisão em flagrante, as autoridades também apreenderam documentos e equipamentos eletrônicos na casa do trader, cujos materiais serão submetidos a perícia e análise técnica para dar continuidade às investigações, que miram um grupo criminoso suspeito de fraudes milionárias envolvendo falsos investimentos financeiros e lavagem de dinheiro no Piauí, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso.
De acordo com as investigações, o esquema utilizava uma estrutura empresarial sofisticada para atrair investidores com a promessa de aplicações financeiras seguras e alta rentabilidade, supostamente ligadas ao agronegócio e empreendimentos imobiliários. Para transmitir credibilidade, o grupo usava escritórios de alto padrão e mantinha exposição nas redes sociais e televisão, para convencer as vítimas a realizarem aportes financeiros expressivos.
Ao convencer as vítimas dos investimentos, os suspeitos se apropriaram dos recursos e não aplicavam nos setores anunciados. Para ocultar a fraude, a organização utilizava empresas com nomenclaturas semelhantes às de instituições financeiras legítimas e aplicativos que simulavam plataformas de investimento, criando uma falsa aparência de rendimento e normalidade para os valores aplicados pelas vítimas.
Histórico de prisões
Douglas Fonseca já havia sido preso em uma operação da Polícia Civil do Piauí (PC-PI), no último mês de julho. A suspeita é que ele integrava um grupo investigado por estelionato qualificado por fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de dinheiro que teria movimentado cerca de R$ 100 milhões em apenas dois anos.
Naquela ocasião, foram apreendidos veículos de luxo, além de relógios de luxo, armas de fogo, documentos, contratos e outros materiais que serão analisados pela investigação. Além das prisões, a DF Group teve as contas bloqueadas e as atividades suspensas.
De acordo com a PC-PI, o trader atraía investidores prometendo rentabilidade de até 10% ao mês, percentual considerado incompatível com o mercado financeiro. Apesar disso, informações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apontaram que a empresa não possuía autorização para atuar no mercado de capitais.
Investigações no Piauí
A Polícia Civil do Piauí informou nesta terça-feira (22) que as investigações sobre o caso DF Trader continuam em andamento. Segundo a Delegacia de Combate aos Crimes Contra a Ordem Tributária, Ordem Econômica e Relações de Consumo (DECCOTERC), ainda são realizadas diligências para esclarecer os fatos, identificar responsabilidades e reunir provas.
Em nota, a delegacia informou que não é possível estabelecer, neste momento, uma data para a conclusão do inquérito e declarou que o caso envolve milhares de vítimas, além de grande volume de informações e documentos que precisam ser analisados.
“A medida não representa restrição aos direitos das vítimas nem interrupção da investigação. Trata-se de providência necessária para assegurar tratamento isonômico aos milhares de interessados e, principalmente, permitir que os policiais e autoridades responsáveis concentrem seus recursos humanos e materiais na execução das diligências investigativas e na conclusão do procedimento”.
De acordo com a DECCOTERC, as vítimas que já prestaram depoimento e entregaram a documentação relacionada ao caso não precisam comparecer novamente à unidade policial, a menos que sejam convocadas para complementar informações ou participar de alguma diligência.
Quem tiver novos documentos, informações ou outros elementos de prova ainda não apresentados poderá encaminhá-los pelos canais institucionais disponibilizados pela Polícia Civil.
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